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Agenda cheia não é WhatsApp em dia

Salão lotado e caixa de mensagens lotada convivem bem, e é aí que mora o problema: os dois medem coisas diferentes, e só um deles aparece.

por Marco Cianci ·

Uma agenda cheia parece prova de que está tudo funcionando. Ela é prova de uma coisa só: que quem conseguiu marcar, marcou.

Não diz nada sobre quem tentou e desistiu no caminho. E são duas medidas diferentes, com dois donos diferentes dentro do negócio.

Duas filas, e você só enxerga uma

A agenda é visível. Tem tela, tem horário, tem nome. Quando ela está cheia, você vê.

A caixa de mensagens é invisível para efeito de gestão. Ninguém abre o WhatsApp no fim do mês e conta quantas conversas terminaram sem resposta. Não existe relatório disso no aplicativo, e é por isso que essa fila pode crescer o ano inteiro sem virar assunto.

O resultado é um negócio que parece saudável enquanto perde na porta de entrada.

Os sinais de que a segunda fila está entupida

Nenhum aparece em relatório. Todos aparecem na rotina:

  • Você responde mensagem depois das 22h, porque foi a primeira hora livre do dia.
  • Cliente antigo reclama que demorou para conseguir marcar, e ele nem sabe que ficou na fila.
  • A recepção pede ajuda no sábado, e a ajuda vem de quem deveria estar atendendo.
  • Aparece gente perguntando se ainda está aberto, porque ninguém respondeu a mensagem anterior.
  • Você lembra de conversas que não terminou, mas não sabe quantas foram.

O último é o mais revelador. Se você não sabe o número, é porque ele não é medido, e o que não é medido não melhora.

Encher a agenda e desentupir a caixa são trabalhos diferentes

Encher a agenda é marketing: atrair mais gente. Desentupir a caixa é operação: converter quem já chegou.

Quase todo salão investe no primeiro e não olha o segundo, e é uma troca ruim, porque o segundo é mais barato. Quem já mandou mensagem custou o que quer que tenha custado para chegar até ali. Perder essa pessoa por demora é jogar fora um investimento que já foi feito.

Antes de aumentar anúncio, vale medir a fila invisível: quantas conversas chegam por mês, quantas viram horário, e quanto tempo alguém gasta respondendo. A conta leva dois minutos e às vezes mostra que o problema nunca foi falta de cliente.