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Como avaliar uma empresa de tecnologia

Sete perguntas que separam quem entrega de quem só apresenta bem. Nenhuma delas é sobre tecnologia, e todas são desconfortáveis de responder.

por Marco Cianci ·

Quem contrata tecnologia quase nunca tem como julgar tecnicamente a proposta que recebeu. É normal, e é justamente por isso que a decisão costuma ser tomada por preço ou por simpatia.

Existe um jeito melhor, e ele não exige entender de código. Exige fazer sete perguntas desconfortáveis e reparar em quem responde sem rodeio.

As sete

1. O que vocês não fazem? Quem responde "fazemos de tudo" não tem foco, ou não quer perder a venda. Fornecedor maduro tem uma lista de coisas que recusa, e sabe dizer por quê.

2. O que acontece depois da entrega? Sistema entra no ar e começa a envelhecer no mesmo dia. Pergunte quem corrige, em quanto tempo, e se isso está no contrato ou vira orçamento novo.

3. De quem é o código e de quem é o dado? Se você trocar de fornecedor daqui a dois anos, sai com o quê? Peça por escrito. É a pergunta que mais muda de cara quando feita cedo.

4. Quem exatamente vai trabalhar nisso? Muita proposta é assinada por um sênior e executada por outra pessoa. Não é problema, desde que seja dito.

5. Já deu errado alguma vez? O que aconteceu? A melhor pergunta da lista. Quem nunca teve projeto difícil, ou fez pouco, ou não vai contar. A resposta útil descreve o problema, o que foi feito e o que mudou depois.

6. Como vou saber que está avançando? Sem entregas parciais visíveis, você descobre que atrasou no dia da entrega. Pergunte a frequência e o formato do que vai ver.

7. O que você precisa de mim para isso dar certo? Projeto de tecnologia falha por falta de decisão do cliente com a mesma frequência que por falha técnica. Quem já entregou sabe disso e diz na hora.

Os sinais que valem mais que o portfólio

  • Ele te disse "não" em alguma coisa. Fornecedor que concorda com tudo na reunião vai discordar depois, quando custar caro.
  • A proposta descreve o problema antes da solução. Se o documento começa na tecnologia, ninguém entendeu a operação.
  • Existe CNPJ, endereço e uma pessoa com nome. Parece óbvio, e some com mais frequência do que deveria.
  • O prazo tem premissa escrita. "45 dias" sem dizer do que depende é chute com aparência de compromisso.

O que checar sozinho, em dez minutos

Procure o CNPJ e veja há quanto tempo a empresa existe e se está ativa. Procure o nome dela no Google e veja o que aparece além do próprio site. Olhe o perfil no LinkedIn e veja se tem gente.

Nada disso prova competência. Mas a ausência de tudo isso é informação, e é barata de obter.

Se estiver avaliando a Cianci, faça as sete. A quinta é a que mais vale.